No documento, a AGU sustenta que a decisão relatada pelo desembargador Magid Nauef Láuar representa afronta à Constituição Federal, que impõe ao Estado o dever de proteger crianças e adolescentes de qualquer forma de exploração e opressão, além de contrariar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que assegura a proteção integral e o desenvolvimento saudável desse público.
O pedido afirma ainda que a interpretação de suposta formação de núcleo familiar é incompatível com o sistema jurídico de proteção à infância. “Não se trata de relação de afeto ou de família, mas de relação de exploração sexual”, argumenta o texto encaminhado ao CNJ.
Na semana passada, por dois votos a um, o TJMG absolveu o acusado e também a mãe da menina, que respondia por conivência. A decisão considerou que não houve crime, sob o entendimento de que existiria um “vínculo afetivo consensual” entre as partes — tese que gerou forte repercussão nacional.
No Brasil, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estabelece que o consentimento é irrelevante nos casos de estupro de vulnerável envolvendo menores de 14 anos, sendo suficiente a idade da vítima para a caracterização do crime.
Após a repercussão, o nome do desembargador passou a ser alvo de denúncias relacionadas a supostos casos de abuso sexual. O próprio TJMG e o CNJ informaram que receberam representações e instauraram procedimentos para apuração. Ao menos duas pessoas devem ser ouvidas, entre elas um parente do magistrado, o ator Saulo Lauar, que fez um relato público sobre o que teria vivenciado.
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