“COMBUSTÍVEL PARA DAR DUAS VOLTAS NO PLANETA?” AUDITORIA EXPÕE GASTOS SUSPEITOS NA GESTÃO PASSADA DE TARRAFAS

 


Uma denúncia que está causando revolta e levantando sérias suspeitas em Tarrafas. A atual gestão do município revelou números impressionantes envolvendo gastos com combustível durante a administração passada. Segundo a auditoria, a quilometragem registrada pela frota municipal em apenas um mês de 2024 seria suficiente para dar mais de duas voltas ao redor da Terra.

Os dados foram encontrados em relatórios ligados ao setor que era administrado pelo então diretor de transportes e controle de combustíveis, hoje vereador, Francisco Valdislan Lêu. E os números chamam atenção pela quantidade considerada fora da realidade.

Um dos casos mais impressionantes envolve um veículo da Secretaria de Saúde, um Peugeot Partner, placa PLA-0224. De acordo com os registros, somente em fevereiro de 2024 o carro teria rodado mais de 14 mil quilômetros. No mês seguinte, outros 13 mil quilômetros foram lançados no sistema. Uma distância considerada praticamente impossível para a rotina de um veículo municipal.

Outro dado que também despertou suspeitas foi o consumo de uma caminhonete S10 da administração. O relatório aponta mais de 8 mil litros de combustível abastecidos, quantidade suficiente para percorrer quase 88 mil quilômetros.

A auditoria também encontrou situações consideradas extremamente suspeitas nos abastecimentos. Máquinas registrando várias vezes o mesmo valor exato de abastecimento em dias seguidos, veículos abastecidos duas vezes no mesmo dia e até automóveis recebendo combustível incompatível com o tipo de motor.

Em um dos casos apontados, uma Hilux abastecida normalmente com diesel aparece em registros recebendo gasolina em datas diferentes, o que reforça ainda mais as suspeitas de irregularidades.

Os relatórios classificaram alguns veículos com nível crítico de suspeição, indicando possíveis adulterações de hodômetros, inconsistências nos registros e até indícios de desvio de dinheiro público.

O caso agora deve ganhar novos desdobramentos políticos e jurídicos no município. Enquanto isso, a população cobra respostas e quer saber: afinal, para onde foi tanto combustível?

 Nossa reportagem entrou em contato com o ex-direor de transportes e atual vereador Francisco Valdislan Lêu, citado nos relatórios divulgados pela atual gestão.

Em resposta, Valdislan afirmou que não assinava documentos relacionados aos abastecimentos e que sua função era apenas somar os valores e encaminhar os relatórios para as secretarias realizarem os pagamentos.

O vereador também declarou que chegou a se afastar da função no mês de abril daquele período e classificou toda a situação como perseguição política.

Segundo ele, o alto consumo de combustível registrado nos relatórios teria relação com a intensa rotina de viagens realizadas pelos veículos do município na época. Valdislan afirmou que a frota fazia frequentemente duas a três viagens para Fortaleza, além de deslocamentos constantes para cidades da região do Cariri, como Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha.

Mesmo com a justificativa apresentada pelo ex-diretor, os números divulgados pela auditoria seguem gerando questionamentos. Entre os pontos apontados estão quilometragens consideradas incompatíveis com a rotina normal dos veículos, abastecimentos repetidos com valores idênticos e até registros de combustíveis diferentes dos permitidos para alguns motores.

O caso continua repercutindo politicamente no município e deve seguir sendo acompanhado pelos órgãos de fiscalização e pela população.

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