sábado, 13 de outubro de 2018

Alguns motivos para não votarmos em Fernando Haddad

Por: Edu, de São Paulo, SP
Nos últimos anos, o nosso país foi marcado por uma série de mobilizações populares progressistas, desde a luta pela redução da tarifa do transporte público, até a atual luta contra Temer e suas reformas. Comum a todas elas é a participação majoritária da juventude, entregando à luta toda a disposição de tomar as ruas e nelas permanecer.
As jovens secundaristas foram reprimidas pela polícia militar enquanto lutavam contra o fechamento de escolas e, por isso, não hesitam em rejeitar o PSDB de João Dória, enquanto alternativa de governo para a cidade. A jovem trabalhadora da periferia, atendente do telemarketing, tem visto poucos direitos trabalhistas sendo reduzidos ainda mais por Temer e pelo PMDB e, assim, sabe também que quem está associada com esse projeto não lhes serve, como é o caso de Marta. Já a jovem LGBT, que passeava na rua com sua companheira antes de ser brutalmente agredida, sabe mais do que ninguém que a LGBTfobia não deve ser aceita, muito menos incentivada, como fazem os principais apoiadores de Celso Russomanno, do PRB.
A juventude, em sua maioria, portanto, divide-se entre Fernando Haddad (PT) e Luiza Erundina (PSOL). Entretanto, acredito que apenas Erundina é uma alternativa de esquerda para a juventude, como exporto no texto ‘Eleições São Paulo: necessidade de programa para combater cidade negócio’. Quero agora, na verdade, discutir com os jovens leitores porque não devemos votar em Fernando Haddad.
Coligações com a direitaPara isso, devemos voltar no tempo por alguns anos. Mais exatamente, 18 de junho de 2012. Nesse dia, na véspera da campanha que acabou elegendo Haddad, o atual prefeito e Lula visitaram aquele que se tornaria um dos seus principais aliados, Paulo Maluf, líder do PP. Essa coligação reproduziria a aliança que desde 2004 o PT havia firmado com o Partido Progressista, quando cedeu a este o Ministério das Cidades. Não é nem preciso dizer muito para tornar evidente os problemas disso. Maluf se tornou famoso, entre outras coisas, por seu bordão “ROTA na rua”. Quem mora na periferia, quem é negro, ou negra, sabe o seu real significado. Esse agrupamento da polícia é, na verdade, um esquadrão genocida, responsável pelo assassinato de centenas de jovens periféricos.
Na atual disputa eleitoral, Haddad encontra-se coligado com o PR e com o PROS. Os dois partidos, somados, cederam trinta votos a favor do impeachment de Dilma na votação da Câmara dos Deputados, de um total de 46. No Senado, toda a bancada do PR, com quatro senadores, votou a favor do impedimento de Dilma. O PROS não possui senadores. Não bastasse essa enorme contradição, que, inclusive, se repete em centenas de cidades, talvez o leitor se lembre que um dos senadores do PR é Magno Malta, figura que hoje é o principal defensor e impulsionador do projeto de lei ‘Escola sem Partido’. Este projeto significa, basicamente, o aniquilamento da educação enquanto ferramenta de crítica político-social, isto é, a sua transformação em instrumento de alienação da juventude para servir, sem reclamar, aos interesses dos empresários e poderosos. Em resumo, esse projeto nada é do que uma resposta pela direita à luta dos secundaristas.
Essa associação de Haddad e do PT com a direita que, segundo afirmam, apenas retoricamente, pretendem combater, não significa apenas o rebaixamento de um programa possivelmente mais alinhado com os interesses da juventude e da classe trabalhadora, como já se provou. Na questão das eleições proporcionais, o voto em qualquer candidato do PT, como é o caso de Suplicy, que ainda possui grande simpatia de ativistas da esquerda, serve para eleger vereadores também do PR e do PROS, em função da coligação. Assim, não é um argumento exagerado, como querem os petistas, afirmar que o PT fortalece a direita. Votar em candidatos do PT na atual eleição para vereador significa eleger também candidatos da direita.
As alianças com os setores mais reacionários da política que Haddad e o PT possuem, o seu apoio direto à repressão policial em junho de 2013 e o aumento sucessivo da tarifa são apenas alguns, entre vários, exemplos que demonstram que Haddad e o PT não são, de forma alguma, alternativas para a juventude. É preciso, nessas eleições, fortalecer uma alternativa à esquerda do PT, que se coloque verdadeiramente à serviço da luta contra Temer e suas reformas, que seja irredutivelmente contrária à repressão dos movimentos sociais, que entenda que nós possuímos direito ao transporte público, gratuito e de qualidade, que, enfim, defenda uma cidade para a juventude e para os trabalhadores. Coloco minha militância a serviço desse projeto, por isso que estou com Erundina nessas eleições.
Contraditoriamente, Haddad ainda discursou em um dos atos pelo Fora Temer na Paulista, no dia 11 de setembro, criticando Temer e os golpistas. Usou o vídeo, inclusive, no seu programa para a televisão, tentando transformar o ato em seu palanque eleitoral. Foi vaiado por boa parte do público, que dizia “se ele se associa aos reacionários, nós não nos associamos”.
Repressão policialPois bem, mesmo assim Haddad venceu as eleições em 2012, assumindo o mandato em 2013. Novamente, viajamos para o mês de junho. Ganham corpo as manifestações de rua contra o aumento da tarifa de ônibus, trem e metrô para $3,20. Na mesma medida em que cresce a quantidade de jovens na rua, cresce também a violência da repressão policial. No dia 12, quarta-feira, Haddad e Alckmin, que estavam juntos em Paris, foram à imprensa defender o aumento da tarifa e criticar a onda de violência e depredações protagonizada pelos manifestantes. O dia seguinte, dia 13, entrou para os livros da história política do país como a ‘quinta-feira sangrenta’.
É verdade que Haddad e Alckmin acabaram derrotados e sendo obrigados a, novamente juntos, anunciarem o retorno da tarifa para três reais. Infelizmente, isso não significou que o petista e o pessedebista tivessem entendido que, sendo o transporte um direito, era preciso garantir acesso de todos a ele. Tratou-se apenas de um recuo tático. No ano seguinte, no dia 26 de dezembro, Haddad anunciou, se antecipando até mesmo a Alckmin, o reajuste da tarifa para $3,50. Com isso, ele esperava reter qualquer tentativa de mobilização contrária ao aumento, nos moldes de junho de 2013, em função das festas de fim de ano. Tática que teve sucesso e que tornou a adotar em 9 de janeiro deste ano, quando aumentou a tarifa para os atuais e absurdos $3,80.
Pode-se argumentar, por outro lado, que Haddad criou o passe livre estudantil, como uma espécie de política de redução dos danos causados pelos sucessivos aumentos da tarifa. Em primeiro lugar, a história não é bem assim. O passe livre estudantil foi uma conquista das mobilizações populares que se fortalecem em junho de 2013 e que seguem ocorrendo até este ano, apesar de menores. Outra prova de que o passe livre estudantil é, na verdade, uma derrota de Haddad é que, nesse ano também, iniciou o processo de licitação dos serviços de ônibus na capital, que pretende manter por mais vinte anos o nosso direito ao transporte público nas mãos das máfias que controlam as empresas de ônibus, cuja lógica de operação é apenas a do lucro (mesmo que ainda um pouco menor): quanto mais velho o ônibus e quanto mais lotado, melhor.
No que se refere é repressão policial, seria possível contestar nossos argumentos afirmando que é responsável apenas aquele que manda diretamente nos agentes da repressão, que, no caso, seria Geraldo Alckmin. Não achamos isso. Aquele que manifesta apoio à determinada ação se torna, em algum grau, responsável por ela e, sobretudo, por suas consequências. Agora, segundo essa mesma tese, Haddad é o comandante direto da Guarda Civil Metropolitana e, portanto, sem dúvida alguma pode e deve ser responsabilizado pelas ações desta. E a GCM, no período de Haddad na prefeitura, seguiu cumprindo seu papel de reprimir com violência ocupações urbanas, o comércio ambulante e os moradores de rua. Suas ações geraram, inclusive, um protesto no último dia 13, em que o prefeito era acusado de “higienista” por um grupo de moradores de rua. Nesse sentido, Haddad manteve a lógica de Kassab, que faz da GCM nada além de uma versão municipal da PM.
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