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quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Disputa por terras deixadas por Padre Cícero motiva operação


A quinta fase da ‘Operação Expresso 150’, deflagrada pela Polícia Federal (PF), ontem, teve como alvo a suposta corrupção de uma desembargadora, em um processo de restituição de terra, na Região do Cariri. Os envolvidos estariam disputando terras deixadas por Padre Cícero. Residências, escritórios de advocacia e uma empresa foram revistados.

A reportagem apurou que mandados de busca e apreensão foram cumpridos nos escritórios e nas casas dos advogados Paulo Napoleão Gonçalves Quezado e Paolo Giorgio Quezado Gurgel e Silva. A sede de uma construtora e a residência do dono também foram revistados, em Juazeiro do Norte. Os policiais federais apreenderam documentos e mídias, para investigação.

A PF cumpriu seis ordens judiciais, sendo quatro em Juazeiro do Norte e duas na Capital. A decisão para que a ofensiva acontecesse é do ministro Herman Benjamin, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). 

Corrupção

O Ministério Público Federal (MPF) requereu, em novembro do ano passado, que a Polícia Federal realizasse novas diligências. A suspeita era de que a desembargadora Sérgia Maria Mendonça Miranda teria recebido R$ 675 mil em propina, no processo referente à restituição de terras, movido pela Diocese do Crato.

O empresário Francisco Pereira da Silva, proprietário da ‘FP Construções e Empreendimento Imobiliários’, atual dona de parte dos terrenos em questão, teria pago os valores. As terras em jogo são heranças do Padre Cícero Romão Batista, deixadas para dois santos – Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e São Miguel. 

Em 1998, o vigário da paróquia de Juazeiro do Norte decidiu vender parte da herança, um terreno de 750 mil m², no bairro São José, em Juazeiro. O empresário Francisco Pereira da Silva comprou o bem oferecido pelo pároco por R$ 85 mil. A área hoje está avaliada em R$ 30 milhões.

Ao tomar conhecimento da transação imobiliária, em 2010, a Diocese do Crato entrou com uma ação na Justiça para questionar a venda. A reportagem apurou que um delator revelou ao Ministério Público do Estado (MPCE), que a desembargadora Sérgia Maria Miranda teria recebido a propina para decidir sobre uma apelação do processo em favor da construtora.

Assassinato 

Francisco Pereira da Silva foi assassinado a tiros, em Juazeiro do Norte, em julho deste ano. Dois homens alvejaram a vítima, que dirigia um veículo Land Rover Discovery. O automóvel de luxo caiu em um barranco e o empresário morreu imediatamente. A Polícia Civil não divulgou se o homicídio tem relação com a disputa das terras, na Região do Cariri.

A reportagem entrou em contato com Paolo Giorgio, mas as ligações não foram atendidas. O advogado Paulo Quezado confirmou que a PF esteve em seu escritório e fez uma cópia de um HD. Ele declarou também que não reconhece nenhuma irregularidade no transcorrer da ação. 
Fonte Diário do Nordeste
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