Ameaças dos EUA ao Irã elevam risco de escalada no Oriente Médio

 


As recentes ameaças dos Estados Unidos ao Irã, intensificadas pelo avanço dos protestos contra o regime dos aiatolás e pelo discurso do presidente Donald Trump, reacenderam o temor de uma escalada regional no Oriente Médio. O movimento ocorre em um contexto já marcado por instabilidade, disputas energéticas e pela importância estratégica do petróleo na dinâmica global.

Apesar do tom adotado por Washington, aliados árabes dos Estados Unidos no Golfo Pérsico atuam para evitar um agravamento militar da crise. Sob a liderança da Arábia Saudita, países como Omã e Catar têm recorrido a canais diplomáticos para alertar a Casa Branca sobre os possíveis efeitos colaterais de uma tentativa de derrubar o regime iraniano, especialmente no mercado internacional de petróleo.

De acordo com a imprensa internacional, autoridades da região advertiram que eventuais ataques ao Irã poderiam comprometer a navegação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz. A passagem é considerada estratégica, já que cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo transita pelo local, ligando os principais produtores do Oriente Médio aos mercados da Ásia-Pacífico, da Europa e da América do Norte.

Um eventual bloqueio, mesmo que parcial, teria impacto imediato nos preços da commodity e poderia gerar reflexos significativos na estabilidade da economia global.

Para a professora Fernanda Brandão, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Faculdade Mackenzie Rio, as ameaças norte-americanas surgem em um momento de fragilidade inédita do regime iraniano. “As ameaças dos Estados Unidos de uma possível intervenção no Irã ocorrem em um contexto em que o regime dos aiatolás já está bastante enfraquecido, não apenas no campo militar, mas também no plano político, diante da continuidade dos protestos e manifestações contrárias ao governo”, afirmou ao Metrópoles.

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