Apesar do tom adotado por Washington, aliados árabes dos Estados Unidos no Golfo Pérsico atuam para evitar um agravamento militar da crise. Sob a liderança da Arábia Saudita, países como Omã e Catar têm recorrido a canais diplomáticos para alertar a Casa Branca sobre os possíveis efeitos colaterais de uma tentativa de derrubar o regime iraniano, especialmente no mercado internacional de petróleo.
De acordo com a imprensa internacional, autoridades da região advertiram que eventuais ataques ao Irã poderiam comprometer a navegação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz. A passagem é considerada estratégica, já que cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo transita pelo local, ligando os principais produtores do Oriente Médio aos mercados da Ásia-Pacífico, da Europa e da América do Norte.
Um eventual bloqueio, mesmo que parcial, teria impacto imediato nos preços da commodity e poderia gerar reflexos significativos na estabilidade da economia global.
Para a professora Fernanda Brandão, coordenadora do curso de Relações Internacionais da Faculdade Mackenzie Rio, as ameaças norte-americanas surgem em um momento de fragilidade inédita do regime iraniano. “As ameaças dos Estados Unidos de uma possível intervenção no Irã ocorrem em um contexto em que o regime dos aiatolás já está bastante enfraquecido, não apenas no campo militar, mas também no plano político, diante da continuidade dos protestos e manifestações contrárias ao governo”, afirmou ao Metrópoles.
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