Subtenente da PMCE é investigado por oferecer cargo para subordinada em troca de favores sexuais

 


Uma soldado da Polícia Militar do Ceará (PMCE) denunciou um subtenente da Corporação por assédio sexual fora e dentro do ambiente de trabalho. Os crimes teriam sido cometidos pelo superior, de 50 anos, nos dias 18 e 21 de julho do ano passado, e teriam sido agravados por uma campanha de difamação e tentativas de coação de testemunhas.

O nome do subtenente não será divulgado nesta matéria porque ele está na condição de investigado. Não há, ainda, indiciamento ou denúncia à Justiça.

A vítima tem 35 anos e está há nove a serviço da Polícia Militar. Inicialmente, quando procurada pela reportagem, ela não se sentiu à vontade para dar entrevista, mas confirmou a denúncia e disse que está afastada do trabalho desde a última segunda-feira (18) por recomendação médica.

No dia seguinte ao contato feito pelo Diário do Nordeste, ela, porém, tomou a decisão de expor o que está enfrentando, mas ainda sem se identificar. "Não dá, não consigo dormir direito. Eu já tomo medicação, e fico tomando ainda mais medicação em emergência", afligiu-se ao telefone.

Segundo a vítima, que faz acompanhamento psiquiátrico e psicológico, o acúmulo de danos causados pelo assédio e a transferência de posto de trabalho para um prédio "abandonado" após o episódio provocaram crises de ansiedade. "Para eles [da Polícia Militar], administrativamente, foi melhor me transferir e deixar ele [investigado] lá", falou.

O que aconteceu?

Conforme o relatório de investigação preliminar sobre o caso,  a primeira "investida" do subtenente aconteceu durante um happy hour após o expediente, em 18 de julho de 2025, uma sexta-feira.

À época, ele, a soldado e outros policiais militares confraternizavam — ingerindo bebida alcoólica — quando o superior teria sugerido indicar a subordinada para outra função, em outra coordenadoria da PM, em troca de "envolvimento afetivo". Segundo relato de uma das testemunhas, ela teria paralisado no momento da fala e, depois, mudado de assunto.

Em seu próprio depoimento, a vítima admitiu que se sentiu desconfortável na hora, mas relevou por se tratar de um momento informal. No entanto, no primeiro dia útil após o episódio, em 21 de julho de 2025, o subtenente teria refeito a proposta, afirmando que "ainda estava de pé", desde que a policial desse algo em troca para ele.

Diante da insistência do superior e do constrangimento que estava sentindo, ela relatou que decidiu romper qualquer vínculo de amizade que tinha com o denunciado e começou a tratá-lo de maneira estritamente profissional, o que o teria irritado, a ponto de tornar bastante conflituosa a convivência entre os dois — que antes era pacífica.

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