A Polícia Federal prendeu, nesta quarta-feira (24), o filho do ex-prefeito de Choró, Bebeto Queiroz (PSB). O suspeito foi capturado em flagrante pelo crime de lavagem de dinheiro.
Ao todo, a operação, realizada em parceria com o Ministério Público Eleitoral, por meio da 3ª Promotoria Eleitoral de Fortaleza, cumpriu cinco mandados de busca e apreensão expedidos pelo juízo da 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza.
A ação ocorreu no âmbito da investigação criminal conjunta contra o ex-prefeito de Choró, foragido desde dezembro de 2024.
A defesa do ex-prefeito foi procurada pelo PontoPoder, mas não foi localizada.
Relembre o caso
A investigação contra Bebeto partiu de denúncias feitas pela ex-prefeita de Canindé, Rosário Ximenes (Republicanos), referentes ao pleito de 2024.
Em depoimento ao Ministério Público do Ceará (MPCE), ainda durante a campanha eleitoral, ela disse que havia uma rede criminosa que operava por meio de ameaças a adversários e ofertas de "vantagens materiais e financeiras a eleitores em troca de votos".
As investigações apontam ainda que o deputado federal Júnior Mano teria papel central no esquema. A denunciante alegou que a base do esquema era o repasse de emendas parlamentares para municípios cearenses. Nas prefeituras, os valores eram desviados para empresas comandadas por “laranjas”.
Em julho de 2025, Mano foi alvo operação Underhand, da PF, deflagrada no Ceará e no Distrito Federal. Na ocasião, o político teve seu gabinete como um dos endereços de cumprimento dos mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF.
O parlamentar também tem reforçado que "não cometeu qualquer irregularidade". Em março desde ano, em entrevista ao PontoPoder, o deputado federal disse ainda não temer as investigações. "Estou tranquilo, com a cabeça erguida, resiliente, andando e mostrando realmente que a gente não tem nenhuma culpa em relação a isso", completou.
Cassação de Bebeto
No mês de agosto do ano passado, o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) decidiu manter a cassação de Bebeto Queiroz e do seu vice, Bruno Jucá (PRD), pela participação no esquema criminoso investigado.
A Corte ainda aplicou uma multa de R$ 53,2 mil, determinou a inelegibilidade do prefeito por oito anos e ordenou a realização de novas eleições na cidade — estas realizadas no início de março deste ano.
Na decisão, o TRE-CE destacou a robustez do conjunto de provas, que indica a captação ilícita de voto e o abuso de poder econômico, segundo os magistrados.
As provas incluíram mensagens extraídas de aparelho celular de Queiroz, revelando negociações explícitas de recursos em troca de votos, além de transferências bancárias realizadas por intermédio de pessoas próximas ao candidato.
Os desembargadores apontaram ainda a apreensão de mais de R$ 500 mil em espécie às vésperas da eleição, e a participação de familiares de Bebeto na operacionalização dos repasses.
A decisão do TRE-CE confirmou uma sentença anterior, proferida em abril daquele ano pela 6ª Zona Eleitoral de Quixadá.
Na oportunidade, a Justiça Eleitoral também declarou a inelegibilidade de ambos os políticos — a medida foi revisada para Jucá no julgamento do Tribunal Regional Eleitoral.

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