Com a pré-candidatura a deputada estadual já anunciada, a atual vice-governadora Jade Romero (PT) mantém viva uma tradição entre ocupantes do cargo de deixarem a chapa de reeleição do governador.
Desde que a recondução para cargos do Executivo passou a ser permitida no Brasil, apenas uma vice-governadora manteve-se no posto em mandatos consecutivos no Ceará. Foi Izolda Cela (PSB), que integrou as duas chapas vitoriosas de Camilo Santana (PT), em 2014 e 2018.
O movimento de Jade ocorre sem ruptura política com o governador Elmano de Freitas (PT). Eleita pelo MDB em 2022, ela deixou a legenda em abril deste ano e se filiou ao PT. Agora, deve disputar uma cadeira no Legislativo estadual, enquanto o grupo governista busca um novo nome para compor a chapa majoritária.
Entre os cotados estão a vice-prefeita de Fortaleza, Gabriella Aguiar (PSD), e o deputado federal Eunício Oliveira (MDB). O emedebista, contudo, já afirmou que a prioridade da sigla que ele preside no Ceará é conquistar uma vaga no Senado.
Para a cientista política Mariana Dionísio, professora da Universidade de Fortaleza (Unifor), a baixa taxa de permanência dos vice-governadores está relacionada à própria função política exercida pelo cargo.
"As vice-governadorias, no geral, são um campo estratégico importante para sinalização de apoio entre partidos, e a pessoa que ocupa o cargo de vice acaba se tornando uma peça útil e necessária, mas não insubstituível", afirma.
A exceção que confirma a regra
Dos sete vice-governadores eleitos no Ceará desde a consolidação da reeleição no País, apenas Izolda Cela permaneceu na mesma posição em uma chapa subsequente. Mariana Dionísio considera que a trajetória da ex-governadora ajuda a ilustrar justamente a excepcionalidade do caso.
"Izolda Cela foi a exceção que confirma a regra. Ficou ao lado de Camilo Santana nas duas gestões e acabou assumindo o governo quando ele renunciou para disputar o Senado, o que tecnicamente encerrou o ciclo dela como vice. Ou seja, ela permaneceu no cargo, mas saiu ‘pela porta da frente’ ao virar governadora", destaca.
A ascensão de Izolda ao comando do Estado, em 2022, marcou um momento decisivo da política cearense. A então governadora passou a ser defendida por petistas e por aliados do senador Cid Gomes (PSB) como candidata natural à reeleição.
Do outro lado, a ala do PDT ligada ao ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) defendia a candidatura do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio. O impasse provocou o rompimento entre PT e PDT e levou Camilo Santana a lançar Elmano de Freitas como candidato ao Governo. Foi essa nova composição de forças que abriu espaço na chapa para o MDB indicar Jade Romero para disputar a Vice-Governadoria.
Uma tradição de mudanças
Considerando o período a partir de 1998, quando a reeleição passou a ser permitida no Brasil, Beni Veras foi o primeiro vice-governador cearense a assumir após a mudança legislativa. Ele compôs a chapa de reeleição do governador Tasso Jereissati (PSDB), que havia sido eleito anteriormente ao lado de Moroni Torgan. O próprio Beni chegou a assumir o Governo do Estado na reta final do mandato, quando Tasso deixou o cargo para disputar o Senado Federal.
Veras não tinha pretensões de concorrer à reeleição. Após assumir, ainda em abril de 2002, ele precisou ser operado às pressas para a retirada de um tumor na próstata. A necessidade de dedicar-se ao tratamento médico afastou o político do rol de cotados para disputar novamente o Governo do Ceará.







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