Eleições: o debate mal-educado que desrespeitou os brasileiros

 




Esta coluna conversou ontem com dois empresários cearenses, um da indústria, outro da agropecuária. Pediu-lhes uma opinião acerca do debate que, na noite de domingo passado, 18, travaram os dois finalistas da eleição presidencial brasileira, cujo segundo turno será realizado no próximo domingo, 25. O industrial foi curto na resposta: “Um episódio lamentável que ameaça ser replicado na próxima sexta-feira, 23, quando a Rede Globo promoverá o último debate.” O outro foi ainda mais suscinto: “Infelizmente, é o que temos para hoje.” 

Somos cerca de 212 milhões de habitantes de um país rico, muito rico por natureza. Politicamente independentes desde 1822, quando nos livramos do jugo português, já deveríamos ter alcançado o nível de desenvolvimento econômico e social a que chegaram países com recursos naturais bem mais modestos.  

O debate que há 48 horas uniu (e desuniu) os dois candidatos – um de esquerda, que persegue a reeleição para seu quarto mandato, outro de direita, que promete mudar tudo – teve como saldo a frustração. Ambos perderam a grande chance de expor aos 5% de eleitores ainda indecisos o que pretendem fazer a partir do dia primeiro de janeiro de 2027, quando um dos dois tomar posse, legalmente, do Palácio do Planalto, a sede do governo em Brasília.  

Do que se viu e ouviu no debate do último domingo, ficou, como resultado, um sentimento depressivo que poderá desaparecer, ou não, no da próxima sexta-feira, 23, na Globo, cujos organizadores já devem estar cuidando de evitar que se repitam as cenas deploráveis cenas de anteontem.  

No debate da Band, faltaram as propostas que esclareceriam as dúvidas dos que ainda não sabem em quem votar para a presidência da República brasileira, cuja economia é uma das 10 maiores do mundo e cuja agropecuária é líder mundial. Na indústria aeronáutica, a Embraer é a terceira maior fabricante de aviões do planeta (seu modelo executivo Phenom 300 é líder mundial em vendas).  

O Brasil tem o SUS, maior Sistema Único de Saúde do mundo; tem também empresas líderes da indústria mundial de papel e celulose; tem uma academia púbica e privada que produz conhecimento de alto nível; dispõe de alguns centros de excelência no serviço público, de que são exemplos a Embrapa (maior núcleo de pesquisa mundial do agro), a Receita Federal e a Polícia Federal; é hoje um dos maiores produtores de petróleo do mundo e sua estatal Petrobras domina, quase com exclusividade, a tecnologia de exploração da camada pré-sal. E por que ainda somos um país em vias de desenvolvimento? – é a pergunta que emerge.  

Há muitas respostas, uma delas foi observada ao longo das três horas que durou o debate televisivo do último domingo. Quem esperava ouvir opiniões e propostas sobre o que deve ser feito para melhorar os serviços públicos, ouviu impropérios. Os candidatos falaram quase nada sobre educação, saúde, tecnologia, inovação, mundo digital, inteligência artificial, dívida pública, juros altos, fortalecimento das instituições; mas foram verborrágicos em temas como corrupção, crime organizado, escândalos do INSS e do Banco Master. Trocaram mútuas acusações de dedo em riste, próprias de uma república de bananas. Não deveria ter sido assim, mas foi, para a tristeza de todos. 

Em 1960, Jânio Quadros, então candidato a presidente da República (acabou sendo eleito), esteve em Fortaleza por cujas desfilou empunhando uma vassoura com a promessa de que varreria do país a corrupção. Foi varrido do cargo por decisão própria: renunciou, imaginando que a população se levantaria em seu favor e contra a oposição, mantendo-o no poder. Não aconteceu. Desde então, a corrupção passou a fazer parte, de maneira relevante, da lista das preocupações dos brasileiros. Como uma doença sem cura. 

É lamentável que, a poucos dias da grave decisão política que tomarão os brasileiros, esteja assim desenhada a cena da eleição presidencial. O mais grave é que, pelo que ficou do debate de domingo passado, a perspectiva é de que há um túnel sem luz do outro lado, e o outro lado é o ano de 2027.

TRADE TURÍSTICO DO NORDESTE REÚNE-SE EM FORTAEZA

Será aberto depois de amanhã, quinta-feira e prosseguirá por todo o dia seguinte no Centro de Eventos do Ceará, mais um Brazil Travel Market, uma importante reunião do trade turístico da região nordestina, que traz uma boa notícia: um estudo realizado aponta um amplo crescimento do Nordeste brasileiro em duas frentes que, juntas, mostram a maturidade turística da região.  

De um lado, o avanço do Nordeste como mercado receptor, cada vez mais procurado por turistas estrangeiros; de outro, seu fortalecimento como mercado emissor, com mais nordestinos viajando para fora do país. A tendência também aparece em dados divulgados pela Embratur, pelo Ministério do Turismo e pelo IBGE ao longo de 2025 e 2026. 

A Embratur projeta que o Brasil deve fechar este ano de 2026 com até 10 milhões de turistas estrangeiros, um recorde histórico. Desse movimento, cinco estados nordestinos (Paraíba, Maranhão, Alagoas, Pernambuco e Bahia) estiveram entre os dez estados brasileiros que mais cresceram em chegada de turistas internacionais no primeiro quadrimestre de 2026, com destaque para Pernambuco, que saltou de 31.590 para 65.005 turistas (alta de 105,8%), e para a Bahia, que recebeu 95.397 turistas estrangeiros no período. 

O movimento é sustentado por uma onda de investimentos hoteleiros. A rede Marriott, com a bandeira City Express, planeja aportar mais de R$ 1 bilhão em 15 anos para abrir 30 hotéis na região, com unidades em Suape (PE) e Fortaleza (CE). A rede Nord anunciou quatro novos hotéis no Nordeste para 2026, depois de crescer 22% em receita em 2025, e marcas internacionais como a tailandesa Anantara, a portuguesa Vila Galé e a italiana Pininfarina também ampliam a presença na região, que já concentra 22% dos hotéis em desenvolvimento no Brasil.


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