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quarta-feira, 19 de junho de 2019

Saiba a real história do 'homem mais zangado do mundo';Seu Lunga


O homem mais zangado do mundo. Foi assim que o poeta e xilógrafo Abraão Batista definiu Joaquim dos Santos Rodrigues, o Seu Lunga, em cordel lançado em 1982. Com 32 páginas, o folheto contava histórias do comerciante impaciente, que não gostava de "pergunta besta", e acabou vendo seu nome ganhar o Brasil, como um personagem popular em Juazeiro do Norte, no Cariri cearense. Isso não o impediu que entrasse com ação judicial contra o próprio cordelista.

Em novembro deste ano, completam-se cinco anos da morte de Lunga. A maioria dos "causos" associados a ele são mentirosos, segundo a própria família e amigos, que guardam a memória de um homem gentil, atencioso, trabalhador e honesto.
O comerciante conheceu Carmelita Camilo durante uma missa na Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores. Os dois namoraram por oito meses antes de casar. Do matrimônio, vieram 13 filhos. 10 mulheres e 3 homens, estes últimos, já falecidos. Socorro Rodrigues Camilo, hoje com 67 anos, foi a primeira. "Ele queria um homem", lembra a técnica de laboratório. O filho do sexo masculino veio em seguida.


"Ele era um pai presente, mas não se comunicava muito. Não perguntava como foi na escola, se teve nota boa. Era mais pra dar conselho. E ele era bem observador. Pedia pra gente ter cuidado, não se enganar, ter um pé na frente e outro atrás. Ser honesto e não querer nada de ninguém", lista a primogênita. Sua primeira casa, no largo da Capela do Socorro, tinha três quartos e chegou a comportar todos os 13 filhos.
Com família grande, um dos prazeres de Seu Lunga era reunir os descendentes, colocá-los na "picape" americana da marca Willis, do ano de 1951, e levá-los para seu sítio, que fica na localidade das Pedrinhas. A propriedade tem 71 tarefas de terra, com largura de 77 metros, indo das margens do Rio Salgadinho até a CE-292, recém-pavimentada, próxima ao Aeroporto de Juazeiro do Norte. "Milho, coco, banana, siriguela, goiaba. Até fumo tinha lá", enumera Socorro.
O comerciante gostava de passar o fim de semana no sítio. Era um dos seus prazeres. De lá, trazia produtos para a família e amigos. Criava porco, gado, cavalo e, curiosamente, rãs para alimentação. No inverno, plantava milho, feijão e capim para a engorda do gado. Plantas medicinais também eram cultivadas e doadas a seus vizinhos.

Por muitos anos, Cícero, seu amigo, cuidava da propriedade, que ainda tem uma pequena casa. "A gente ia pra lá no São João, assava batata, milho, fazia canjica. Um homem tocava sanfona por lá. Era uma festa grande", completa a filha Socorro.
Após a morte de Cícero, o vaqueiro e agricultor Damião José da Silva começou a cuidar do sítio. Foram 10 anos trabalhando com Lunga. Muitas vezes, buscando-o e deixando-o de moto na sua casa. "Me agarrava na cintura e partia", conta Damião. Ao chegar no terreno, costumava juntar as pedras soltas e colocar num cantinho para não machucar o gado. O comerciante também tirava a palha de coco do chão para o terreiro ficar limpo.
"Aqui no sítio era brincalhão. Foi um patrão excelente. Mas eu presenciei, às vezes, ele sem papas na língua. Só que o que ele gostava mesmo era dizer uma 'lua', fazer umas rimas", conta Damião. Seu Lunga gostava de contar poesias e a família reúne um material cheio. A inspiração vinha da vida na roça e também na religiosidade.
Da terra divina graça/ Que se diz mimosa luz/ Só quem morreu na terra /Mas foi cravado na cruz/ Um homem que se chamava/ O menino Jesus".
As poesias eram registradas em gravadores e na memória.

Sucesso

Do "personagem Lunga", porém, Socorro alerta para histórias inventadas pelo povo. "Já fui pro Rio de avião ouvindo piada de papai no banco de trás do avião. A maioria não era verdade. Ele não era ignorante. Não gostava de pergunta idiota", pondera Socorro. Com a fama e participações em programas de TV, a loja de Seu Lunga se tornou um ponto turístico. Pessoas de todas as partes do Brasil, principalmente romeiros, passavam por lá para conhecê-lo. Ele sempre foi muito atencioso e tirou fotos com todos, isso, claro, sem sair de sua cadeira. Foi nesse momento que começaram a provocá-lo para receber alguma resposta contundente. "Dentro de casa, ele não era assim", ressalta a filha.
Em 1988, Seu Lunga disputou o cargo de vereador em Juazeiro do Norte. Filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), obteve 273 votos, figurando na 56ª, sem conquistar o pleito. A própria família evita falar desta empreitada política. "Quando começaram a pedir coisa, ele não gostou", resume Socorro.

Com o passar do tempo, as filhas de Lunga notaram ele triste, pálido e emagrecendo. Em 2013, descobriram o câncer no esôfago. Em estado avançado, com dificuldades de engolir, a família optou por evitar a quimioterapia e radioterapia pela agressividade do tratamento, já que o comerciante alcançava seus 86 anos. Uma enfermeira foi contratada para cuidar dele à noite, dar os medicamentos e o soro. Um ano depois da doença descoberta, ele teve uma piora e foi internado no Hospital São Vicente, em Barbalha.
Nos últimos dias, Seu Lunga já não conversava muito porque a voz estava frágil. "Ele sabia que ele ia, mas nunca falou pra gente que tinha medo de morrer", reforça Socorro. Na manhã do dia 22 de novembro de 2014, o cuidador que o acompanhava foi chamá-lo para tomar o café da manhã. "Vamos, Seu Lunga, comer!", pediu. Depois de olhar para o rapaz, o comerciante virou o rosto e descansou; da mesma forma costumava dormir, de lado. Desta vez, foi para sempre.
A loja foi alugada pela família para o dono de um estacionamento vizinho ao prédio, que ampliou seu negócio. O ferro foi vendido a um sucateiro de Fortaleza. O sítio ainda pertence à família, mas está arrendado por cinco anos. Por iniciativa de um comerciante juazeirense, há um projeto para construção de uma estátua de bronze na Praça do Socorro, em frente onde Seu Lunga morava.
Confira trechos das poesias de Seu Lunga:
Quem me dera ser  um pássaro para no mundo voar. Eu ia para o oceano, depois podia voltar. Mas ia cair nos teus braços somente para consolar
Morava bem  em Juazeiro, me transportei daqui e fui morar em Salgueiro. Lá existe uma fazenda que só existe vaqueiro. Existe também um boi, que é  um grande boi mandingueiro. Se eu pego meu cavalo, um cavalo  muito ligeiro. Vou derribar o boi, cavalo, boi e vaqueiro
Fonte: Diário do nordeste


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