Dentista é agredida por ex-namorado e mantida em cárcere privado em praia no litoral do CE

 


Um chute na perna por ela ter dado uma opinião contrária à dele. Esta foi a primeira agressão que a cirurgiã-dentista Gabriele Pessoa, 25, lembra de ter sofrido do ex-namorado, o corretor de imóveis Samuel Levi Rodrigues Saldanha, 28. No decorrer dos dois anos do relacionamento, o chute escalou para diversas outras agressões, terminando com a prisão preventiva dele, na última segunda-feira (25), em Fortaleza, por lesão corporal contra a mulher no âmbito de violência doméstica.

Os delitos aconteceram neste mês de maio e foram denunciados pela dentista na Delegacia de Camocim, no litoral cearense, e nas redes sociais. Em relato publicado no Instagram, na terça-feira (26), um dia após a prisão do corretor, ela compartilhou os episódios de violência física e psicológica que sofreu do ex-companheiro.

No último, o homem invadiu a casa onde a Gabriele mora, na Praia de Tatajuba, em Camocim, prendeu a vítima em seu próprio quarto e a agrediu por horas, na tentativa de "forçar uma reconciliação que já não existia mais".

Ela e Samuel terminaram o relacionamento há cerca de um mês, quando a dentista decidiu por fim ao ciclo de violência que sofria. "O motivo principal [das agressões recentes] foi eu ter posto um fim na relação. Não satisfeito, após um mês, ele fez tudo aquilo. Mas eu tive coragem de acionar a Polícia e ir em frente com a decisão", comentou ela.

Cárcere privado

Gabriele lembrou que, durante o momento em que o ex-namorado a prendeu no quarto, todos os pedidos e as tentativas de ajuda "foram em vão". "A princípio, imaginei que fosse um pesadelo. Ouvi os gritos dele, peguei o celular, falei com as outras duas mulheres presentes na casa, pedi ajuda. E, mesmo eu falando para ele ir embora, ele insistiu e arrombou a porta da frente, entrou na casa e correu até o meu quarto. Eu tentei impedir a entrada, mas, fisicamente, ele é mais forte", relatou.

Com o celular ainda em mãos, ela conta que telefonou para a ex-sogra e colocou a ligação no viva-voz. "Ela chorava e implorava para que ele fosse embora, avisando que a Polícia estava a caminho. Uma das meninas do lado de fora já havia acionado a Polícia porque eu pedi. Mas ele não se importou com os pedidos da mãe, com os meus pedidos e nem com os pedidos das pessoas fora do quarto, tentando ajudar", lembra.

Quando os policiais militares chegaram ao local, o agressor já tinha saído. "Foi embora quando quis, tranquilamente", disse Gabriele. Esta foi a primeira vez que ela recorreu às autoridades de segurança para se proteger do ex-companheiro.

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